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Por que alguns sons dão arrepio de prazer?

Um sussurro, o som de alguém escovando o cabelo, uma pessoa dando "tap tap" numa caixa de madeira — pra algumas pessoas, isso é o suficiente pra sentir uma onda de arrepio relaxante começando na cabeça e descendo pela nuca.

Esse fenômeno tem nome científico: ASMR (Autonomous Sensory Meridian Response, ou "resposta sensorial autônoma de meridiano", numa tradução livre). O termo foi criado em 2010 por Jennifer Allen, ao tentar dar nome a uma sensação que já era discutida informalmente em fóruns de internet desde por volta de 2007. Hoje existem milhões de vídeos no YouTube feitos só pra provocar esse efeito.

ASMR

Formigamento que começa no couro cabeludo ou nuca e desce em ondas, geralmente disparado por sons suaves e sussurros. Nem todo mundo sente.

Frisson (arrepio de música)

Aquele arrepio rápido pelo corpo todo ao mesmo tempo, geralmente num pico emocional de uma música. É um fenômeno diferente, mais estudado e mais comum.

O que acontece no cérebro durante o "formigamento"

Pesquisas com ressonância magnética mostraram que, durante o momento do arrepio de ASMR, se ativam regiões ligadas a recompensa (núcleo accumbens), autopercepção e cognição social (córtex pré-frontal medial), além de áreas ligadas à sensação no corpo. Ou seja: não é "coisa da cabeça" no sentido de imaginação — existe uma resposta cerebral real e mensurável acontecendo.

Estudos com eletroencefalograma (EEG) também identificaram um padrão de ondas cerebrais específico durante a experiência — mudanças em frequências ligadas a relaxamento profundo, o que ajuda a explicar por que tanta gente usa vídeos de ASMR pra dormir.

Frequência cardíaca menor

foi o que pesquisadores da Universidade de Sheffield encontraram ao comparar pessoas que sentem ASMR com pessoas que não sentem, enquanto ambas assistiam aos mesmos vídeos — uma prova física de que o relaxamento é real, não só relatado.

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Por que nem todo mundo sente

Essa é a pergunta que a ciência ainda está tentando responder por completo. O que já se sabe é que existe uma ligação com traços de personalidade: pessoas que sentem ASMR tendem a pontuar mais alto em "abertura a experiências" (curiosidade, criatividade, gosto por coisas novas) em alguns estudos. Outros estudos encontraram ligação com neuroticismo mais alto. Os resultados ainda não são totalmente consistentes entre as pesquisas — é um campo de estudo recente, com a primeira pesquisa científica séria sobre o tema publicada só em 2015.

Também existe registro de que muita gente sente ASMR desde a infância, mesmo sem saber que aquilo tinha nome — só foi a internet que deu um rótulo e uma comunidade pra uma sensação que várias pessoas já tinham individualmente, em silêncio, há anos.

Pra que serve, na prática

Além do relaxamento imediato, alguns estudos sugerem benefícios temporários pra humor, incluindo redução de sintomas depressivos por algumas horas após assistir a um vídeo — efeito passageiro, não um tratamento permanente. Cientistas também estudam o potencial do ASMR pra ajudar com insônia, ansiedade e estresse, mas ainda são investigações em estágio inicial, sem conclusões definitivas.

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Principais referências usadas neste artigo: Poerio et al. (2018, University of Sheffield, PLOS ONE); Fredborg et al. (2017); Janik McErlean & Banissy (2017); Swart et al. (Goldsmiths, University of London); Mohammadi et al. (2024, EEG study, Shiraz Neuroscience Research Center). Este artigo tem caráter informativo e não substitui literatura científica original.